domingo, 13 de setembro de 2009

O Que Eu Fiz




Não sei mais o que fazer. Tenho uma bomba alojada no peito. Um poder que conheço meticulosamente pra assustar. Meu coração remendado com esparadrapos escorrega entre as conversas. É revisitar o museu da tortura todo final de noite. É uma música que corta a garganta pelo choro.

Foi algo que eu disse?
Foi algo que eu fiz?
Foi.
Amei você!

Você nem existe mais, mas ainda consegue estragar as folhas do meu quintal. Não dá pra fugir de minhas próprias contradições, elas acabam me encontrando na próxima esquina. É inevitável não falar seu nome e me surpreendo quando te guardo de volta na memória. Uma voz tenta o diálogo e morre na cena seguinte. É a aventura que me alimenta. É o difícil, o impossível, o proibido. Peço a Deus que me coloque de novo no teu caminho pra descobrir o que você não me contou.

Minha esperança não é minha e espera por você. Eu estive do seu lado sem me importar com o meu. Saio de um problema e me encaixo em outro. Não é outro, é o mesmo, repintado. Às vezes não é suficiente, às vezes transborda...

Choro de felicidade por lembrar que você me existiu, que você me seguiu. Não consigo largar o teu semblante. É algo que me acompanha no bolso, caminha comigo no peito.

Fui covarde. Egoísta. Tive que ser pra não me perder. Perdi você.

É uma faca que me vela toda vez que tento te deixar. Encarreguei-me de não te abandonar. Ainda seguro a tua mão pelo pensamento. Não vou soltar.

O amor consegue convencer o tempo do contrário: consegue levá-lo pra comprar a tarde e esticar a pipoca.

Amor de verdade o tempo não destroi. Muda, mas permanece.

E como conter essa vontade de ter o que não se pode mais? Deus deve saber. Reza pra ele que Ele te ouve, porque eu não sei. Fiz questão de não descobrir para não conter. Quero você aqui: guardada dentro de mim. Desse jeito o amor permanece inalterável, nunca estragará. Eu o alimentarei, todos os dias que ainda me restam, porque você me ensinou assim...

Leandro Lima

7 comentários:

ana.d.w disse...

"...É inevitável não falar seu nome e me surpreendo quando te guardo de volta na memória..."
O amor é complicado, preferia nunca te-lo vivenciado se quer saber minha opinião, doí saber que amou e que nuca foi recompensado, ou saber que foi e não soube. Leandro, você escreve muito bem, fico sem palavras toda vez que venho aqui. parabéns!

Cristiano Contreiras disse...

Caro, Leandro.

Boa a mistura de literatura, poesia e sensibilidade por aqui!
Além do mais, você varia na temática e isso torna o blog prazeroso, flui tudo fácil aqui...voltarei e te seguirei, abraço viu?

Sαbrinα disse...

Meu Deus, você escreveu tudo, tudo o que sinto hoje, eu tenho um amor bem forte, que mudou mas permanece ainda em mim, e por mais que seja estranho eu nao quero tirar ele de mim, ainda tem algo que me aquece o peito e me diz que o destino vai me levar de novo ao mesmo caminho de antes, talvez seja a esperança.

Poxaa valeu por e seguir, to te seguindo tambeém

beeijão :*

Abraão Vitoriano disse...

Leandro,
muito interessante a forma como escreves... teu blog é bom e contagiante...

um abraço,
e tudo de bom!

Geovana disse...

Oi Leandro...

Entrei aqui atraida pela sua foto como seguidor da Alexsandra (Não minto pra ser legal) e me deparei com esse texto lindo... parece que sou eu mesma a pensar e escrevê-lo...
Por que deixamos que o amor nos escape pelos dedos? Por que achamos que ele vai voltar? Por que a sensação de ter um
último momento?

Lindo mesmo... parabéns!

Luciana Guimarães disse...

Nossa... Estou descendo a barra e lendo... Quem é essa mulher? Me dá o número dela para eu convecê-la a ficar com vc!!! rsrsrsrs

An Karolina disse...

Oi Amigo Leandro...

Parábens!
Seus textos são magnificos,li uma grande maioria!
bjokas...saudades!