domingo, 20 de dezembro de 2009

Conversa entre 2 crianças modernas




Achei muito bom...

- E aí, véio?
- Beleza, cara?
- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.
- Quer conversar sobre isso? - É a minha mãe. Sei lá, ela anda falando umas coisas estranhas, me botando um terror, sabe?
- Como assim?
- Por exemplo: há alguns dias, antes de dormir, ela veio com um papo doido aí. Mandou eu dormir logo senão uma tal de Cuca ia vir me pegar. Mas eu nem sei quem é essa Cuca, pô. O que eu fiz pra essa mina querer me pegar? Você me conhece desde que eu nasci, já me viu mexer com alguém?
- Nunca.
- Pois é. Mas o pior veio depois. O papo doido continuou. Minha mãe disse que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu pai tinha ido pra roça e minha mãe passear. Mas tipo, o que meu pai foi fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo ela ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?
- Sabe a sua vizinha ali da casa amarela? Minha mãe diz que ela tem uma hortinha no fundo do quintal. Planta vários legumes. Será que sua mãe não quis dizer que seu pai deu um pulo por lá?
- Hmmmm. pode ser. Mas o que será que ele foi fazer lá? VIXE! Será que meu pai tem um caso com a vizinha?
- Como assim, véio?
- Pô, ela deixou bem claro que a minha mãe tinha ido passear. Então ela não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles dois tão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É isso, cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!
- Calma, maninho. Você tá nervoso e não pode tirar conclusões precipitadas.
- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo de umas coisas estranhas sobre a minha mãe.
- Tipo o quê?
- Ela me contou um dia desses que pegou um pau e atirou em um gato. Assim, do nada. Puta maldade, meu! Vê se isso é coisa que se faça com o bichano!
- Caramba! Mas por que ela fez isso?
- Pra matar o gato. Pura maldade mesmo. Mas parece que o gato não morreu.
- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbada, cara..
- E sabe a Francisca ali da esquina?
- A Dona Chica? Sei sim.
- Parece que ela tava junto na hora e não fez nada. Só ficou lá, paradona, admirada vendo o gato berrar de dor.
- Putz grila. Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.
- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe, né? Ela me contou isso de boa, cantando, sabe? Como se estivesse feliz por ter feito essa selvageria. Um absurdo. E eu percebo também que ela não gosta muito de mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo um monte de careta. Eu não achei legal, né. Aí ela começou a falar que ia chamar um boi com cara preta pra me levar embora.
- Nossa, véio. Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer isso com o filho.
- Mas é ruim saber que o casamento deles é essa zona, né? Que meu pai sai com a vizinha e tal. Apesar que eu acho que ele também leva uns chifres, sabe? Um dia ela me contou que lá no bosque do final da rua mora um cara, que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela chama ele de “Anjo”. E ela disse que o tal do Anjo roubou o coração dela. Ela até falou um dia que se fosse a dona da rua, mandava colocar ladrilho em tudo, só pra ele pode passar desfilando e tal.
- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.
- É. só sei que tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes ela fala algumas coisas sem sentido nenhum. Ontem mesmo veio me falar que a vizinha cria perereca em gaiola, cara. Vê se pode? Só tem louco nessa rua.
- Ixi, cara. Mas a vizinha não é sua mãe?
 - Putz, é mesmo! Tô ferrado de qualquer jeito.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Não Existe Mais Amor






Não existe mais amor. Acho que só se ama uma vez mesmo. Estou andando em um mar sem saída. Um oceano deixa de ter cor quando se perde a fé. Minha vida não foi mais a mesma depois de você. A vida não tem mais dias, tem longas horas de espera. Sofrer já não tem mais peso. Perdi o significado.
Não vou amar menos depois do que já amei. Não dá. Impossível. Melhor fazer as malas e voltar para casa. Esse é o caminho inverso. Desacreditar é voltar para casa. Vou recolher-me à impossibilidade do encontro.
Quanto tempo faz? Vai ser assim pra sempre...
Nesse mundo, onde nada mais é verdadeiro, aqui estou, desprovido da toda a incoerência humana que é ter esperança. Sinto que estou perdendo tempo, na verdade, não tenho mais tempo para perder. Enquanto você brinca de querer conhecer o mundo, eu tento sair dele. Cada minuto que passa, é arrancado um pedaço do coração. Já arranquei os olhos. Nem sei mais o que é ter alma. Sou monte de carne ambulante.
Não existe mesmo amor. Vou cair no ceticismo pra ver no quê que dá, ou melhor, vai dar em nada mesmo. Não vou dizer que não pode ficar pior do que está, porque pode ficar sim! Fui amaldiçoado. Estou acalentado na aspereza da infelicidade. Cada rosto que passa só serve para fazer volume na memória, não no coração.
De qualquer jeito, estou sempre lá: suspenso no ar, livre para invadir o seu mundinho com minhas incompreensões e preso em um pesadelo que não acaba.
É isso! Estou vazio. Desacreditado do encantamento humano. Não tente me fazer mudar de ideia. Sou instável, não perca seu tempo. Eu já perdi o meu.
E não existe mais amor. Como se você se importasse... Ninguém mais se importa!
Leandro Lima

domingo, 13 de dezembro de 2009

Acreditar Sempre




Nunca achei que minha vida fosse ficar do jeito que está. Mentira, sempre achei sim. Pelo menos eu achei alguma coisa dela. Nela. Abdiquei dos círculos para continuar na liberdade. Até o oceano tem beco sem saída. Nunca aceitei a definição como modo de vida. Caio na indefinição. Sou previsível somente na dor. A tristeza é coerente, a alegria não. Na alegria passamos sem pedir licença, na tristeza pedimos desculpas.
Nunca tive estilo próprio. Nunca fui de escolher roupas da moda nas lojas; elas me escolhiam sem muita conversa pra bancar. Sempre fui verdadeiro e acabei perdendo algumas pessoas por causa disso. Quem foi sincero comigo acabou se perdendo. Perco-me na sinceridade, dessa tenho medo. Sinceridade nunca me promoveu, pelo contrário: rebaixou-me, terminou, foi embora, chateou, ironizou... Sinceridade é como: “aguenta sem gritar!”.
Minha pior parte vive no passado. Quem não vive? A minha melhor parte vem depois: quando você chegar. Sou dois quando amo. Quando não amo, sou todos para não me sentir sozinho. Não tenho muitas histórias para contar. Minhas histórias não são para convencer, para comover, para fazer chorar. São simples histórias complexas descabidas de aventuras. Sou padrão aos seus olhos, do sorriso faço festa, na alma sou repouso e no coração faço bagunça.
Todos os dias somos destruídos por palavras, por gestos alternativos à bondade. Doença é não perdoar, não esquecer as mágoas, viver da tristeza. Se isso não for doença, no mínimo, vai dar nela. Vai alimentar coisa ruim?! Boa sorte e não conte comigo!
Algumas mãos esmagam nossas virtudes por uma falha encoberta. Uma falha. Falta vontade para prosseguir. Sobra fraqueza para desistir. Tenho uma amiga que já não tem mais jeito. A desilusão tomou conta dos ombros. Ela não tem mais mão para estender. A boca costurada, peito fechado, olhos soldados... Tenho medo dessas pessoas. Elas já estão meio mortas. Elas não vivem e nem sobrevivem: tentam não se enterrar a cada dia que passa. É diferente. Minha indignação é pelo ceticismo, não pela escolha de como viver depois da chuva.
Acreditar sempre. Melhor iludido do que amargurado.
Leando Lima

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

NÃO SER AMADO

Fabrício Carpinejar

Passa-se da idade de casar, como se houvesse idade para isso. Passa-se da idade de ter filhos. Suporta-se o desespero de guardar um cheque em branco assinado, com o temor de nunca descontá-lo. Quem colocou limite em nosso tempo? Regulamos nossa vida em comparação com as outras, desde a infância até a maturidade, desde o jardim até o asilo. Semelhante a dirigir com o velocímetro quebrado e comparar o que se anda pelos demais carros. O ritmo não pode ser imposto por fora. Convence-se de que se não é amado.

Não ser amado é pior do que ser invisível. É narrar o que faltou acontecer. Fica-se grávida da vida que não se teve. O peso de um corpo que sequer existiu para continuá-lo em pensamento.

Não ser amado é pior do que ser invisível. Pois nascer não é o bastante para ninguém. Não ser amado é o mesmo que carecer de pálpebras. É o mesmo que sofrer uma insônia parcial, somente nos ouvidos. É chamar atenção para as virtudes quando os defeitos não param de falar.

Não ser amado é pior do que ser invisível. As portas do guarda-roupa são as venezianas que espreguiçam a casa e nada é suficientemente justo para dar folga à alegria.

Não se amado é não encontrar cintura para as palavras. É um castigo mais severo do que o ódio. É mais grave do que esquecer.

Não ser amado é perder a possibilidade de contestar o próprio destino. É morrer de uma saúde incurável. É participar do mundo como se ele estivesse sempre por ser criado. É colar o fogo porque não há carta para ser queimada.

Não ser amado é se diminuir para dormir, se aquietar no almoço familiar, não mudar a assinatura de adolescente. É apressar os fatos por não fazer parte deles. É sentar em uma escada para não cair em falso. É não levar uma foto 3x4 na carteira. É correr o domingo para chegar na segunda. Não ser amado é um crime que não se teve culpa, um castigo que errou de irmão. É voltar onde não se esteve.

Não ser amado é concluir que o final poderia ser diferente se houvesse um começo. É escolher tudo da vida para contar com receio de faltar história. É a velhice avançar sem trazer vergonha, é a velhice avançar com a indiferença ao colo. É voar como um pássaro e ser chamado de morcego. É gastar o parapeito da janela mais do que a porta.

Não ser amado é acreditar que o amor significa apenas receber.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quase



L.G.


Você foi quase a minha certeza, a minha ternura. Você foi quase minha felicidade, meu repouso.
Eu quase estive certo com você. Quase consegui transformar o céu em verde. Quase te chamei de “amor”.
Eu quase toquei a tua mão. Quase te escrevi uma carta. Quase aprendi a escrever teu nome.
Eu quase consegui entrar no teu coração (fiquei em frente à porta). Quase aprendi a te ligar sem consultar a agenda.
Eu quase estive perto de você. Quase nos beijamos. Quase trocamos olhares. Quase aprendi o caminho da tua casa.
Quase descobri que cheiro você tem. Você foi quase a melhor coisa que já me aconteceu. Fui quase engraçado. Quase amável. Quase bom. Quase o suficiente.
Fui quase gentil. Quase uma palavra. Quase diferente. Quase único.
Quase inventamos um amor. Enfim, eu quase me apaixonei por você.
Só não posso dizer que a saudade é quase, essa é a única que está completinha.
Leandro Lima


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Desculpa?




Voltamos à estaca zero. Voltei, na verdade. Pra você não significa algo. Você continua sem se dar a mínima.
 Fiz o que não devia ter feito pela estúpida pressão no coração de querer tudo para ontem. Parece que não é assim! Só aprendemos a lição depois, não durante. O erro parece que pega uma carona pelo caminho mais curto e chega rapidinho. O acerto veio de ônibus e ainda pegou o ônibus errado; deve chegar amanhã...
Não se é inteligente quando se está apaixonado. O apaixonado se torna egoísta, cego, imaturo, embora pareça um paradoxo conseguir gostar do outro. Mas o que importa é alimentar seu próprio sentimento. Surtamos pela saudade remendada, comprimida. Pela fraqueza de querer. Você não precisa do outro, acha que precisa, mas não precisa. Esse é o primeiro passo para ficar com alguém.
Criamos necessidades fúteis por uma fantasia capenga conhecida como 'carência'. Queremos o outro em tudo, queremos a aprovação, sorrisos 24h, ligações repetidas...
Com isso, cobramos o que não foi dito, o que era pra ter sido dito e ficou na vontade. Cobramos o que não precisamos e esvaziamos o outro da admiração. Toda a admiração se perde pela ‘inquietação’ das mãos.
Cobramos o que gostaríamos de ouvir e não o que o outro tem para falar de verdade, mesmo que pouco. Não queremos o pouco. O pouco custa nada, o tudo não é suficiente e o 'para sempre' já não funciona.
Cobramos ser preenchidos completamente por alguém que não consegue ser 60% pra si, imagina pra gente. Forçamos situações que não deveriam estar no cardápio da conversa. Exigimos explicações do que não aconteceu e mais detalhes do que não nos diz respeito algum. Tornamo-nos infantis. Voltamos à chupeta...
Começamos a roer a corda que segurava o céu. O paraíso perde a intenção. O sol não aquece. O vento corta. As promessas se tornam ameaças.  Vamos perder.
A sede pelo controle da situação estragou o seu descaso pelo acaso. Não há segurança ou controle quando se fala de relacionamentos. Por quê? Porque o amor é sacana. Não existe chave que coloque o outro como exclusividade nossa. Não há garantia. Nenhuma.
Começo o caminho de volta. Não vou insistir no que não quer ser conquistado. Vou perder tempo queimando ideias que não me correspondem. A vontade de um conquistar não vai conseguir vencer a armadura do outro.
Suspeito que ficar com alguém seja uma questão, quase que irônica, de sorte.
Apaixonar-se é um ensaio torto e exagerado para o amor.
Obs.: Desculpa qualquer coisa...
Leandro Lima

sábado, 28 de novembro de 2009

Presente Para Você




Vou dá-lo a você, mas não ache que é seu. É apenas um empréstimo, só vou deixá-lo com você. Você pode usar do jeito que quiser e como quiser. É quase seu. Pode mostrar para todo mundo, só não tem como modificá-lo. É impossível mutá-lo. Já está pronto para uso. É exclusivo seu.
Muitas pessoas não o sabem usar, espero que você saiba. O problema é que não vem com manual. Nenhum desses modelos tem manual. O manual é a própria experiência errante e, mesmo assim, digo para tomar muito cuidado pra não quebrar. É um presente muito valioso.
Pode repintá-lo, pode colocar apelidos, pode colocar outras roupas. Adesive-o com o seu nome. Mas lembre-se: você deve alimentá-lo todos os dias e levar para passear. Não sei por quanto tempo ele será seu. Isso dependerá do próprio tempo de vocês, das mudanças de humor, do clima nas conversas, dos passeios, da tristeza e da alegria contidos.
Os amigos que temos também ajudarão nessa criação. Às vezes ele te deixará louca. Ele vai sumir, vai aparecer todo sujo, surrado pela diferença temperamental ou pela significativa semelhança e vai pedir desculpas. Ouça-o. Ele terá uma boa história pra contar.
Ter um bicho assim dá trabalho, mas vale o risco. Não se assuste com o que ele é capaz de fazer, ou assuste-se, se quiser, você não vai acreditar mesmo... Ninguém acredita que ele existe. O teu sorriso será, sempre, o objetivo dele. É de dar medo, mas você pode ter um. Não é uma oferta; é um depósito. Ele ficará em você. Permanecerá em você. Será a sua pele. Será a minha pele na sua.
Algumas noites você vai ficar sem dormir, vai ligar para os amigos e perguntar se ele anda por lá. Vai querer conversar sobre ele e como ele te intriga. Como é louco. Como te faz bem. O desespero baterá a sua porta, pela ausência, porque você já terá um laço afetivo imensurável e indestrutível.
Você vai surtar por ele. Ele vai aplaudir. Você se perderá. Ele se achará por você. Em você.
O trabalho será pequeno perto de todo o carinho que ele tem pra te dar. Reforço que poucas pessoas têm um desses. É uma dádiva com uma prece um pouco torta, curta para não entediar, mas sincera. Já o deixei com outras pessoas, mas não conseguiram a façanha de aceitá-lo como seu. Tive que passar pra buscá-lo. Algumas acharam muita responsabilidade ter um, outras, ainda não aprenderam a usá-lo. Nunca aprenderão.
Ele passou um tempo triste pelo costume de ter vivido alguns bons momentos e ter sido deixado na esquina, mas aprendeu a correr direito atrás da bola. Ele obedece. Raramente se descuidará da sua companhia. Quando você chamar, ele aparecerá voando. Vai te dar todo o carinho que você merecer. Ele vai te esperar o tempo que for preciso pra acordar aos domingos. Ele estará ao seu lado no piores momentos. Ele nasceu pra isso.
Esse presente é seu. Cuide como se fosse a sua vida, porque, em algum momento, será mesmo.
Qualquer dia entrego a você, mas não tente se preparar. Não há preparação pra ele. Pode ser quando você não o merecer, ou até mesmo quando eu não o quiser te dar... Toda preparação é quase um caminho inverso ao que você se deparará. Ele vai chegar quando você estiver de chinelos, tomando leite com cereal.
Dica: não é um cachorrinho... Aceita?
Leandro Lima


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

E A Busca Continua...

 

Precisamos conversar. Desengatar as palavras atrasadas na garganta pode ser uma boa carta de desabafo. Meu mundo sucumbiu. Perdi o significado de certas coisas.
Não acredito que falhei com você. Depois de todos esses anos a vida não ressurge. Não se renova. Uma busca desenfreada por algo que nunca teremos compadece de desejos.
Preciso de uma razão pra me refazer, me dê um bom motivo pra isso, vamos! Quero poder aparar as arestas dessas idéias malucas e compreender como algumas coisas não funcionam, ou só funcionam pra algumas pessoas.
Não estou pronto para partir. Não há preparação na despedida. Imagina a repercussão de uma despedida. Agora você não sentirá a diferença, mas quando olhar para o lado e não me encontrar... Aproveite para nutrir a alma com os meus gestos e nunca os esqueça, eles te mostrarão exatamente o que você não pode ser.
Algumas partes dessa história vou deixar pra trás, vou rever conceitos, reaver sorrisos, comprar outros conselhos, inventar lembranças, destruir preconceitos, criar outros caminhos.
Mostre algum respeito pelo meu semblante. A busca continua para todos nós. Somos poderosos demais para não encontrar o que tanto buscamos. Temos inteligência suficiente para sermos imaturos. E somos imaturos o suficiente para ainda acreditar no amor... Não existe inteligência na dor. Ficamos desprovidos de sensatez na tristeza. A sorte também conta muito durante a festa.
Está ouvindo? Algo se aproxima da mudança. Porque a sorte não costuma mudar; ela dá um tempo no tempo e volta pra retentar o acaso.
A nossa busca é, sim, uma batalha infindável pela felicidade e chegar até ela é quase sorte. Ou algo parecido.
Leandro Lima

sábado, 21 de novembro de 2009

Que Pena!




Era de se esperar que algo assim não fosse durar muito tempo.

 Quanto é “muito tempo”? Quanto custa “muito tempo”?

Não sabemos o que queremos. Queremos alguém que pareça com a gente, mas se torna entediante quando é assim.  Queremos alguém que seja diferente da gente, mas depois, essa mesma diferença, se torna o problema.

Não dá pra enganar. Somos opostos. Opostos se atraem, mas não se combinam – já dizem por aí. Tantas faces pra eu me preocupar e vou me perder justamente na sua? Estupidez. Na verdade, qualquer pessoa, na face dessa terra, vai ser diferente de mim. Sou um “exigente” com causa. Sou chato pela exigência. Sou legal por ter feito aulas.

Você não conhecerá minhas manias. Não trará um refrigerante de laranja para minha vista. Não saberá as minhas histórias. Não conversará com a mãe sobre a minha infância. Não descobrirá minhas cicatrizes. Não receberá minhas ligações no meio da noite.

O descaso anda no bolso. Fácil, fácil desistir de alguém. É como sair da fila da pipoca: a consciência continuará tranquila. Trocamos os nossos melhores beijos e ficamos somente nisso. Nossos beijos contarão o restinho da missa. O dia seguinte já é agendado para outro alguém. “A fila anda”, não é assim?! E a de algumas pessoas corre feito maratona de São Silvestre...

O telefone não vai tocar. Nenhuma mensagem será feita para agradar. Um convite para o final de semana
 nunca chegará. Conheceremos milhões de máscaras, mas não saberemos da pele. O que tem por debaixo da pele. Do que realmente vale. Não existe mais encanto. Mas acredito que dias melhores virão. Perdemos o significado, a identidade, o riso carimbado, o cheiro marcante. As pessoas estão erradas, não o mundo.

Somos mercadorias. Seremos trocados por outro produto assim que já não funcionarmos mais. Podemos escolher qual levaremos pra casa. As coisas estão longe de exclusividades. A facilidade prevalece pra bagunçar a nossa fé. Não perca a fé.
Difícil encontrar alguém que te satisfaça, que se importe, que se deporte pra sua vida sem viagem de volta. Difícil encontrar alguém que te faça perder a fala, alguém que te desmonte e te remonte com uma facilidade inigualável. Alguém que te deixe boquiaberto por certas atitudes. Muito difícil.
Triste, mas verdade. Uma pena!
Leandro Lima

domingo, 15 de novembro de 2009

O Que Você Acha!?




Não vou dizer que não achava que você seria capaz de dizer tais palavras, mas aconteceu. Você quebrou o vidro. Estou com o vidro na boca. Os estilhaços se confundem com os dentes que gritam por socorro. Sou um “cético adiantado”, como o meu relógio. O meu “acreditar” vem antes, bem antes dos cinco minutos pra começar a acreditar, e morro não hora do convencimento.
Não acredito em palavras, mas em atitudes impensadas. Atitudes pensadas mostra falta de espontaneidade, mesmo que dê errado, mas vale. Palavras; o vento as leva sabe-lá-pra-onde. Atitudes são como um dia de sol: permanecem para alegrar.
Mas o que você achou? Diz, vai!
Achou que eu trocaria as cadeiras de lugar só pra alcançar o céu? Achou que passaria um dia inteiro pintando o sol? Achou que passaria o dia lembrando os nossos beijos? Achou mesmo que eu ligaria e diria que queria te ver?
Sou orgulhoso. Minha armadura é firme para me arrepender de não prosseguir. Todo mundo acha que sou apenas o que aparento. Bando de burros. Há muito mais por trás do que eles veem. Quase todo mundo é assim: imprimem o que veem primeiro, o resto não importa.
Sou o que você nunca achou que eu seria. Sua falta de interesse só apimenta a minha vontade da conquista. Quero o que é mais difícil, o que não posso ter mesmo. Só dou valor assim. O que me atrai é o que desconheço. O que me mete medo bato à porta pra tentar um almoço.
Chorar é uma das atitudes mais bem ensaiadas desse mundo. “Dar as costas” é “cansei da conversa, tente mais tarde!”, pode reparar! Achou que eu mudaria? Achou mesmo?
Espero que, um dia, você perceba que está no caminho menos indicado. Eu não vou te avisar. Você não merece meus conselhos. Sua idiotice constante os tornam inúteis.
É fácil desistir das coisas, o difícil é permanecer na escolha.

Leandro Lima