quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pelo Outro Caminho



Você se atropela. Perde o sentido das coisas pela repetição desnecessária do gesto, pela insistência frustrante de querer um diálogo; ganha um monólogo. Acaba conversando com minhas costas. Parece um disco velho: já saiu de moda.
Passa por cima de todas as fases do conhecimento. A pré-produção da admiração. Não permanece na magia que é apenas imaginar, deduzir, espiar meus modos, descobrir meu refrigerante favorito. Passamos dos carinhos bobos para o estranhamento. Convivência é uma construção. É colocar um tijolo de cada vez. Fechar as janelas e abrir as portas com cuidado.
Toda convivência aviva o estranhamento.
Você acha que conhece todos os meus gostos. Acaba inventando minhas preferências. Cria histórias em quadrinhos onde não existe, forja uma novela mexicana aos meus olhos. Afirma perguntando futilidades. Insiste na mesma pergunta com a boca espumando. Coloca o dedo em meu rosto e trava uma batalha. Tenta, de todos os jeitos, descobrir o que quase ninguém conseguiu. Você insiste e se perde. A cada pergunta, você afunda. Você acaba de perder o famoso “fio da meada”.
Você pode insistir depois, bem depois, quando tudo estiver solidificado. Quando este lugar for seu, você pode tentar renunciar e querer voltar. Existe algo chamado cumplicidade. Um espaço em que, mesmo na ausência, permanece seu. Algo o torna seu. E isso não aconteceu.
Naturalidade não é com você. Você só conseguiu fazer com que meu corpo se distanciasse das suas mãos. Um minuto de silêncio... É demais? O que será que acontece para, um dia, a gente não se querer mais?
Você ainda não descobriu o segredo do meu segredo. Vou rezar para que você encontre o caminho, a porta certa. Na hora certa.
Alguma coisa acontece, no meio do caminho, que deixamos de sentir prazer. Eu te queria, mas agora nem sei mais. Não me leve a mal.
Desculpa, mas não posso fazer igual. Não vou te esperar ligar. Não me espere mais ligar. Meu coração é forjado. Sou estúpido. Vou tomar o outro caminho.
Acabou. Não sou o seu escritor.
Leandro Lima

4 comentários:

Mary disse...

Olá, o mesmo digo eu, de vc! belo blog!

Mary disse...

me add no msn: maridesenne@hotmail.com

Mary disse...

nosssssa q d+ essa música é uma delicia, adoro seu jeito de colocar seus pensamentos adoro olhar pra vc é uma miragem bjossssssss

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Pó das ausências.
Poeira claramente diferenciada.