terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Desculpa?




Voltamos à estaca zero. Voltei, na verdade. Pra você não significa algo. Você continua sem se dar a mínima.
 Fiz o que não devia ter feito pela estúpida pressão no coração de querer tudo para ontem. Parece que não é assim! Só aprendemos a lição depois, não durante. O erro parece que pega uma carona pelo caminho mais curto e chega rapidinho. O acerto veio de ônibus e ainda pegou o ônibus errado; deve chegar amanhã...
Não se é inteligente quando se está apaixonado. O apaixonado se torna egoísta, cego, imaturo, embora pareça um paradoxo conseguir gostar do outro. Mas o que importa é alimentar seu próprio sentimento. Surtamos pela saudade remendada, comprimida. Pela fraqueza de querer. Você não precisa do outro, acha que precisa, mas não precisa. Esse é o primeiro passo para ficar com alguém.
Criamos necessidades fúteis por uma fantasia capenga conhecida como 'carência'. Queremos o outro em tudo, queremos a aprovação, sorrisos 24h, ligações repetidas...
Com isso, cobramos o que não foi dito, o que era pra ter sido dito e ficou na vontade. Cobramos o que não precisamos e esvaziamos o outro da admiração. Toda a admiração se perde pela ‘inquietação’ das mãos.
Cobramos o que gostaríamos de ouvir e não o que o outro tem para falar de verdade, mesmo que pouco. Não queremos o pouco. O pouco custa nada, o tudo não é suficiente e o 'para sempre' já não funciona.
Cobramos ser preenchidos completamente por alguém que não consegue ser 60% pra si, imagina pra gente. Forçamos situações que não deveriam estar no cardápio da conversa. Exigimos explicações do que não aconteceu e mais detalhes do que não nos diz respeito algum. Tornamo-nos infantis. Voltamos à chupeta...
Começamos a roer a corda que segurava o céu. O paraíso perde a intenção. O sol não aquece. O vento corta. As promessas se tornam ameaças.  Vamos perder.
A sede pelo controle da situação estragou o seu descaso pelo acaso. Não há segurança ou controle quando se fala de relacionamentos. Por quê? Porque o amor é sacana. Não existe chave que coloque o outro como exclusividade nossa. Não há garantia. Nenhuma.
Começo o caminho de volta. Não vou insistir no que não quer ser conquistado. Vou perder tempo queimando ideias que não me correspondem. A vontade de um conquistar não vai conseguir vencer a armadura do outro.
Suspeito que ficar com alguém seja uma questão, quase que irônica, de sorte.
Apaixonar-se é um ensaio torto e exagerado para o amor.
Obs.: Desculpa qualquer coisa...
Leandro Lima

7 comentários:

Geovana disse...

Oi... sua foto está linda!

Leandro, na maioria das vezes não amamos o outro, apenas fazemos dele um apoio para nossa carência. Amar é diferente, é quando se aceita o outro do jeito que ele é, aceita até sem o outro aceitá-lo e ama tanto que o outro, algumas vezes, se convence de amar também. Paixão é criar no outro alguém que ele não é e depois brigar porque foi "enganado". A paixão estraga o amor, faz sofrer.

Abraço!

Nii disse...

Gostei do texto. Sérias questões sobre o amor. Muitas imagens me vieram a mente com suas palavras...

Não se é inteligente quando se está apaixonado.... será mesmo? rsrs


beijos
Nii

Buba. disse...

Por isso que ultimamente deixo o meu coração solitário. Não tenho companhia, mas não tenho também quem me machuque. Talvez isso seja apenas um sinal de egoísmo meu. Bem, não sei.

Priscila Rôde disse...

Não, não precisamos de alguém. Nós queremos alguém!

"Apaixonar-se é um ensaio torto e exagerado para o amor."

Muito, muito, muito torto! hehehe

Beijos, adorei a foto! ;*

clariinha.santana disse...

'A sede pelo controle da situação estragou o seu descaso pelo acaso' Será que se eu tivesse lido isso antes, eu não teria estragado tudo?! Hum... Bem, texto está lindo, e sua foto também! Apaixonantes :)

Fatima disse...

Leandro, querido!
Assim como para a vida não existe ensaio, para o amor tão pouco.
Ele simplesmente acontece!!!

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios...
Por isso, cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento de sua vida, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos..."

(Charles Chaplin)

Abraço sem ensaio.

Vanêssa Aulette disse...

Me ajudou muito esse texto.
Talvez agora eu consiga não cobrar mentalmente as palavras que eu gostaria que fossem ditas.