domingo, 13 de março de 2011

Quando Se Ama

Série: Abstrato


Quando se ama, não há rotina, há algo parecido, mas com outro cheiro. Quando se ama, há a aventura de um mochileiro jogado no mundo, um desejo imensurável de antever o outro, uma imensidão de corpo para se dedicar. Nada mais se planeja, e o que é planejado já foi modificado no meio do caminho.

Quando se ama, há a aventura de permanecer ofegante, há a vontade de permanecer sendo o mesmo. Mas não dá, já se é outro. Você nem percebe, mas já mudou de endereço, já deu outra cor à alma. Quando amo, não amo agasalhado nem aconchegado. Amo bagunçado, com a barba por fazer, com o sono vencendo os olhos, respirando em uma nuca. Deixo para ser um dia útil.

Quando amo, pretendo cuidar, abrir caminho e recusar toda tristeza.

O amor nos torna menos egoísta. Deixo de ser eu quando amo. Mudo minhas manias de lugar e esqueço para inventar outras. Ensaio frases. Vou pensando em um jeito de te antecipar para me dar lugar no pensamento. Sou apenas a consequência do amor.

Quando se ama, não há madrugada, as noites se confundem, vão se esticando. Há uma bebedeira de amanhecer que chega rápido, que deixa o tempo correndo atrás das horas. Quando amo, amar e viver se confundem, parecem a mesma coisa, mas amar vem primeiro. Sempre.

Quando amo, tento resolver tudo, sou mais prático, busco a solução pra questão matemática mais cabeluda, quebro o silêncio com uma piada inventada. Sou capaz de levantar no meio da noite para esquentar o leite, capaz de procurar, no escuro, o que nem se precisa. Empresto o meu sono para te ver adormecer. Quando amo, peço desculpas pelo que ainda nem fiz. Quando amo, amo por antecipação, amo sobrando para deixar mais para amanhã. Quando amo, já sou outro sendo o mesmo.

Quando amo, sou mais carne, mais toque.    

Porque não me preocupo se já me perdi. Só existe um lugar onde posso me reencontrar.

Leandro Lima

2 comentários:

Lua disse...

Lindooo!!!!

Karina disse...

Ah... como são doces os corações apaixonados!