quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Qualquer Explicação



Busco qualquer explicação. Qualquer quadro com o preço do cafézinho. Serve a explicação mais barata, a menos convincente. Qualquer uma que preencha um espaço, que entenda um silêncio. Qualquer história inacabada é uma história que persiste: persegue uma explicação.

A pior maneira de se terminar uma história é deixando pela metade. Fica a dúvida de como teria sido o desfecho. O bom é que você pode inventar um final e viver na ilusão de não ter tido tanta culpa.

Tudo o que não foi explicado assombra, fica no ar, cutucando por uma atenção. É como manter em um envelope uma carta sem selar. Falta um destinatário, um endereço, um corpo, um nome. Antes faltasse o conteúdo, tudo bem, mas nunca um rosto.

Uma porta entreaberta é uma história de amor que ainda não acabou.

Qualquer tentativa de salvar um corpo é válida, mas só se salva um corpo com outro corpo, com a mesma linguagem, com o cheiro dos cabelos no rosto, com o desejo na carne, na unha.

Qualquer palavra fora do contexto assassina o momento. Um beijo salva, amadurece, pode curar. Mas pode significar o fim, o fim mais alto e derradeiro de uma história. Esse mesmo beijo, na despedida, pode significar um retorno, uma revanche. Amor de verdade vive de revanches. Toda despedida tem só uma cor.

Toda nova chance é um desprendimento, depende de um novo olhar, de um outro lugar. Esquecer que há guerra para tentar outra vez.

Olhar fundo nos olhos de alguém é se desarmar de qualquer palavra, é colocar a armadura em cima da mesa e não precisar dos óculos para o entendimento. É, ainda, uma forma explicação. Explicar que você deseja aqueles olhos com a alma. É uma explicação sem roteiro. Estaremos indefesos, propícios à voz e à luz. Toda palavra será mastigada com doçura, com apreço. O que vem do coração e chega a outro coração é uma missão cumprida.

E quando não há mais o que fazer?

As madrugadas se tornarão amigas da insônia, noites em claro se abrirão. O rosto pedirá colo. Não haverá canção que mude o tom. Não haverá explicação que convença, que cative, que leve ao alívio. Terá que aprender a viver sem saber onde errou. Mas depois você aprende que a pergunta certa não é “onde errei?”, mas sim “onde acertei?”.

É melhor. É um jeito mais humano de continuar indagando. Algumas perguntas valem mais do que a resposta. Mas, mesmo assim, insistirei na explicação. Qualquer explicação. Aceito qualquer uma.

O amor aceita qualquer explicação. Nós é que não aceitamos a sentença.

Leandro Lima

3 comentários:

José María Souza Costa disse...

Por que, o vale é a justificativa? esses são desafios na vida. Muitissimo bom o seu blog.Interessante mesmo. Mas, estou lhe convidando a visitar o meu, e se possivel seguirmos juntos por eles Estarei lá lhe esperando
www.josemariacostaescreveu.blogspot.com

Keli Wolinger disse...

Leandro,

quando nós dão razão, não nos concedem a chance.
"Olhar fundo nos olhos de alguém é se desarmar de qualquer palavra, é colocar a armadura em cima da mesa e não precisar dos óculos para o entendimento. É, ainda, uma forma explicação. Explicar que você deseja aqueles olhos com a alma. É uma explicação sem roteiro...."
isso dispensa qualquer indagação.

Abraços, Keli

Gislãne disse...

"O amor aceita qualquer explicação. "

qualquer uma!

:)